
O Painel do Barrageiro, trabalho feito em parceria entre Poty Lazzarotto e Adoaldo Lenzi, foi inaugurado em novembro de 1998, no Mirante Central da usina de Itaipu, ponto de parada dos visitantes. Lenzi voltou a trabalhar nele em 2007, restaurando algumas cerâmicas que haviam se soltado devido a uma infiltração.
A obra é uma homenagem aos cerca de 100 mil trabalhadores, brasileiros e paraguaios, que ajudaram a construir Itaipu. Este é o número estimado de barrageiros que trabalharam nas obras, a partir de 1975.
O painel tem 25 metros de comprimento por 3,5 m de largura e é formado por um arco com uma face de azulejos e a outra em alto relevo. Entre os detalhes, capas além dos capacetes porque o trabalho não podia parar; detonação de explosivos; e a bicicleta para vencer as grandes distâncias na obra e no lazer.
Durante quase quatro meses ele ficou parcialmente coberto por uma lona preta. Quem o viu nesse período e o vê hoje, logo percebe a diferença, principalmente nos detalhes. O mural, que é fotografado por turistas diariamente e impressiona pelo desenho alegre e moderno, agora está completo novamente. Adoaldo Lenzi, artista que executou o projeto de Poty Lazarotto, está dando os últimos retoques na restauração de algumas cerâmicas, que se soltaram por causa de uma infiltração.
“Cada detalhe é importante para que a parte restaurada não fique diferente do restante”, explica o artista.
Cuidado e capricho não faltaram na execução do trabalho; afinal, Lenzi tem o maior apreço por este painel. “Esta é uma das obras mais importantes que já fiz. Todos querem fotografá-la. Ela é muito conhecida e especial para mim”, revela.
E não é para menos. O painel, que simboliza a construção da usina, tem 180 metros quadrados e fica bem em frente ao Mirante Central, de onde se pode ter a melhor visão da barragem. Um atrativo a mais para quem aprecia a boa arte.
Restauração
O processo de restauração levou aproximadamente 30 dias. Para criar um painel do gênero, é utilizada a técnica de pintura artística em cerâmica. Primeiro, o artista tem que posicionar todas as peças de cerâmica no chão. Em seguida, faz o desenho a grafite. O próximo passo é a pintura dos contornos, geralmente em tinta preta. E depois vem a parte mais delicada, segundo Lenzi: a pintura das cores. A tinta esmalte permite efeitos variados, e a atenção deve ser redobrada para não dar diferença entre uma peça e outra.
A continuação das cores e dos traços deve ser perfeita. “Se houver algum erro na fase da coloração, todo o processo anterior se perde”, adverte Lenzi. Depois de pintada, vem a técnica conhecida pelos artistas como terceira queima, que consiste em queimar a cerâmica a 800 graus, para a tinta fundir na cerâmica.
E quem observa realmente não consegue distinguir os 18 metros quadrados que foram recém refeitos. “Esta é a intenção”, comenta o artista.
(Informações e fotos cedidas pela Gerência de Imprensa da Itaipu Binacional -- jornalistas Cláudio Dalla Benetta, gerente; Alexandre Marchetti e Caio Coronel, fotógrafos).
